quinta-feira, 9 de julho de 2015

Isto é o que normalmente ocorre: das 65 palavras que compõe este soneto, 62 não levaram muito mais do que 20 minutos para saírem; as outras três levaram quase 62 dias para encontrarem seu lugar no texto.


No fundo, ainda sou o Poeta
Da mente, que vaga, inquieta
Dos olhos, a cor e a dor
Da alma, do corpo, e o que for

Dos poros, a poesia emana
Inunda, aflora, chora, clama
Não se comprime, alarga o peito
Explode, eclode, avulta o efeito

Poesia que muda
Se altera, transmuda
Não cabe em si

Poeta, que mudo
Calado, de luto
Poetiza pra si

terça-feira, 2 de junho de 2015

Cansado de esperanças
Inventei  minha realidade
Quando ventam os sensatos,
Os concretos, ditos sábios
Atravesso sua verdade,
Coerência e temperança.
Navego em meio ao caos
Seguro em minha  nau.
(01/06/2015)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Para Roberta


Queria te oferecer um poema
Mas não poderia ser um poema qualquer
Teria que ser um poema com a tua cara
Mas como rimar orelhas com boca,
Olhos com nariz?
E se conseguisse isso,
Acaso sairias com ele,
Com o meu poema na rua?
Emoldurado por teus cabelos
Sustentado por teu pescoço?
Ou o guardarias para usar em casa
Analisando-o diante do espelho,
Antes de dormir?
Tentando reconhecer-te
No que outros olhos viram
O certo é que depois de tudo
Cansada
O lavarias no final do dia
Deixando-o escorrer, letra após letra,
Ralo adentro
Noite adentro
Para o intrigante mundo
Dos hipotéticos poemas
De rostos.

(12/01/12 – 22:08)

domingo, 27 de junho de 2010

Em que repousa agora o teu olhar?
Longe dos teus, os olhos meus já não o são
O que envolve agora os teus braços?
Enquanto me abraço, acalentando a solidão

Onde está teu pensamento a descansar?
Enquanto os meus não encontram cais nem porto
O que faz teu coração acelerar?
Já que oco, o meu peito, agora jaz.

sábado, 26 de junho de 2010

Estrangeiro III

Sentiu-se privado de tudo o que conhecia por vida, como um peixe que de repente percebeu que não conseguia mais respirar na água e que seria obrigado a passar o resto de seus dias na areia da praia, molhando-se às vezes, a fim de amenizar a saudade, mas sabendo que só lhe restariam lembranças de uma existência, que a cada dia parecer-lhe-iam mais alheias do que próprias.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Beatrice

Quando sinto tua falta, pego meu violão. Não sei tocá-lo, assim como não sei como é te tocar. Apenas passo os dedos pelas cordas como se fossem teus cabelos em Lá menor. O débil som que sai é o da tua voz da qual quase não me recordo. Firo as cordas e as deixo ressoarem pelo quarto escuro, como tua imagem em minha mente.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Areia Quente













Areia quente.
O barulho das ondas.
O mar vem e vai acariciando meus pés.
Lembranças de outra época, quando você, do meu lado, ria de coisas que ninguém mais entenderia.
Olho pra frente.
A visão é a mesma, mas parece que falta algo.
As cores são as mesmas, mas é como se estivessem desbotadas...
O cheiro de areia molhada; de água salgada.
Mas não têm o mesmo perfume.
Enfio os dedos na areia úmida, sem me atrever a olhar para o lado.
Finjo que você esta comigo e abraço meus joelhos enquanto penso em algo engraçado para dizer.
Recito em voz alta e faço silêncio, talvez esperando ouvir sua reação.
Aguço os ouvidos e percebo, ao longe, ecos de sua melhor risada.
Sorrio.
Por alguns segundos.