quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Para Roberta


Queria te oferecer um poema
Mas não poderia ser um poema qualquer
Teria que ser um poema com a tua cara
Mas como rimar orelhas com boca,
Olhos com nariz?
E se conseguisse isso,
Acaso sairias com ele,
Com o meu poema na rua?
Emoldurado por teus cabelos
Sustentado por teu pescoço?
Ou o guardarias para usar em casa
Analisando-o diante do espelho,
Antes de dormir?
Tentando reconhecer-te
No que outros olhos viram
O certo é que depois de tudo
Cansada
O lavarias no final do dia
Deixando-o escorrer, letra após letra,
Ralo adentro
Noite adentro
Para o intrigante mundo
Dos hipotéticos poemas
De rostos.

(12/01/12 – 22:08)

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